Inovação no Centro-Oeste: como Urandir Fernandes de Oliveira conecta pesquisa geológica e tecnologia financeira

 

Poucos nomes no Brasil operam com tanta simultaneidade em campos tão distantes. Urandir Fernandes de Oliveira dirige um ecossistema que tem uma perna fincada no subsolo do Mato Grosso, onde expedições com tecnologia de escaneamento a laser mapeiam formações geológicas sob a copa da floresta amazônica, e outra no mercado financeiro, onde o BDM Digital funciona como meio de pagamento descentralizado aceito em centenas de estabelecimentos comerciais. O ponto de articulação entre as duas frentes é o polo Zigurats, em Corguinho, no Mato Grosso do Sul, base operacional, comunitária e intelectual do grupo.

A trajetória da Dákila Pesquisas, associação liderada por Urandir, ilustra uma forma particular de construção de ecossistema: começar por uma pesquisa de campo com recursos tecnológicos de ponta e usar a visibilidade gerada por essa pesquisa para financiar e legitimar a expansão para outras áreas. No caso de Dákila, a expansão foi para o setor financeiro, com o desenvolvimento de uma plataforma de pagamento própria baseada em blockchain proprietário.

Este texto descreve como cada frente do ecossistema foi estruturada, qual infraestrutura sustenta as operações e de que forma o grupo posiciona suas iniciativas no mercado.

Como a busca por Ratanabá colocou Dákila no mapa tecnológico

A narrativa que deu visibilidade ao grupo gira em torno de Ratanabá. Trata-se de uma suposta cidade de grandes dimensões que o grupo de Dákila aponta como capital de uma civilização anterior aos registros históricos convencionais sobre o continente sul-americano. A hipótese circula há décadas em nichos de pesquisa alternativa, mas foi a introdução da tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging) nas expedições do grupo que transformou Ratanabá de discussão restrita em fenômeno de repercussão ampla.

O LiDAR é um sistema de sensoriamento remoto que emite pulsos de laser a partir de aeronaves. Ao atravessar as aberturas entre a densa copa da floresta amazônica e atingir o solo, esses pulsos retornam ao sensor com informações que permitem reconstituir a topografia do terreno em alta resolução, independente da vegetação que o cobre. O resultado é uma nuvem de pontos tridimensional que revela o relevo como ele nunca seria visível por imagem de satélite convencional.

Os scans realizados pela equipe de Dákila em áreas do Mato Grosso produziram imagens que os pesquisadores interpretam como padrões geométricos regulares, ruas retilíneas e estruturas que atribuem a muralhas e galerias subterrâneas. A academia tradicional mantém debate sobre a origem natural ou artificial dessas formações, posição que o próprio grupo reconhece em suas comunicações públicas. Independentemente do desfecho científico da hipótese, o emprego do LiDAR em campo conferiu à Dákila uma projeção midiática que nenhuma pesquisa de campo convencional teria alcançado no mesmo prazo.

Zigurats: a infraestrutura que sustenta as operações

Coordenar expedições de longa duração em uma das regiões de logística mais desafiadora do país exige uma base própria. O polo Zigurats, em Corguinho, no interior do Mato Grosso do Sul, cumpre essa função. A localidade foi projetada do zero sob supervisão de Urandir Fernandes de Oliveira com uma escolha arquitetônica deliberada: tetos abobadados concebidos para resistir a extremos climáticos e ao que o grupo descreve como anomalias geofísicas que observa na região.

Mais do que uma base de campo, Zigurats opera como um polo de autossuficiência. O local abriga observatórios, monumentos e comunidades residenciais cujo modo de vida é orientado pela redução de dependência externa. Do ponto de vista logístico, essa estrutura permite que as expedições partam de uma base com infraestrutura própria de comunicação, armazenamento e planejamento, sem depender da rede de serviços das cidades próximas para as etapas mais sensíveis das pesquisas.

A concentração de pesquisadores, técnicos e membros da comunidade em Zigurats também funciona como incubadora informal das iniciativas do grupo. É no polo que as discussões sobre os dados de campo se cruzam com o desenvolvimento das ferramentas financeiras e das estratégias de expansão do ecossistema. Essa sobreposição entre ambiente de pesquisa e ambiente de desenvolvimento tecnológico é um traço organizacional que distingue Dákila de grupos de pesquisa de campo convencional.

BDM Digital: da pesquisa de campo ao varejo

A compreensão de que a autonomia de uma comunidade passa pelo controle das ferramentas financeiras levou o grupo de Dákila a um movimento que poucos grupos de pesquisa de qualquer natureza fazem: desenvolver a própria moeda de circulação. O BDM Digital (Bônus Dourado Mercantil) é o resultado desse movimento. Diferente de criptoativos concebidos como instrumentos de especulação ou de reserva de valor, o BDM Digital foi construído como meio de pagamento de uso cotidiano.

A tecnologia de base é um sistema blockchain proprietário, desenvolvido e mantido pelo próprio grupo. A escolha por um blockchain proprietário em vez de protocolos públicos como Ethereum reflete a mesma lógica que orienta o polo Zigurats: controle sobre a infraestrutura. No caso do BDM Digital, isso significa que as regras de emissão, as taxas de transação e a governança do sistema são definidas internamente, sem dependência de redes externas.

O meio de pagamento já é aceito em centenas de estabelecimentos comerciais, segundo o grupo, formando um circuito onde comerciantes e consumidores transacionam fora do sistema bancário convencional. A proposta declarada é reduzir a exposição a taxas bancárias, oscilações cambiais e ao que o grupo descreve como controles centralizados sobre o fluxo de capital. Para pequenos e médios empresários dentro da rede de parceiros, o BDM Digital funciona como uma alternativa de baixo custo operacional às maquininhas de cartão tradicionais.

O ecossistema Dákila: estrutura, localização e missão de cada frente

Frente Entidade ou Produto Localização Principal Função no Ecossistema
Pesquisa geológica e arqueológica Dákila Pesquisas (associação) Expedições no Mato Grosso; coordenação em Corguinho/MS Conduzir mapeamentos LiDAR e expedições terrestres na região amazônica; gerar visibilidade e credencial tecnológica para o grupo
Infraestrutura operacional e comunitária Polo Zigurats Corguinho, Mato Grosso do Sul Servir como base logística das expedições, sede intelectual do grupo e polo de autossuficiência comunitária
Tecnologia financeira BDM Digital (Bônus Dourado Mercantil) Nacional; rede de centenas de estabelecimentos parceiros Oferecer meio de pagamento descentralizado para varejo; reduzir dependência do sistema bancário tradicional dentro da rede do grupo

BDM Digital no varejo: posicionamento frente a outros instrumentos de pagamento

Característica BDM Digital Criptoativos de mercado (Bitcoin, Ethereum etc.) Sistema bancário convencional
Propósito declarado Meio de pagamento de uso cotidiano no varejo Reserva de valor, especulação, contratos inteligentes Intermediação de pagamentos, crédito, custódia
Tecnologia de base Blockchain proprietário do grupo Dákila Blockchains públicos descentralizados Sistemas centralizados de compensação (SPB, BACEN)
Aceitação no varejo Centenas de estabelecimentos parceiros da rede Dákila Limitada; concentrada em exchanges e nichos específicos Universal no Brasil; obrigatória para consumidores e empresas
Controle da governança Centralizado no grupo desenvolvedor Descentralizado (protocolos públicos) ou em exchanges privadas Banco Central do Brasil e instituições autorizadas
Foco geográfico declarado Rede de parceiros no Brasil, com expansão gradual Global, sem foco setorial ou geográfico específico Nacional; integração internacional via correspondentes

Dúvidas frequentes sobre Dákila Pesquisas, Zigurats e BDM Digital (FAQ)

Por que o interior do Centro-Oeste foi escolhido como base para um projeto de pesquisa de alto custo tecnológico?

Corguinho, no Mato Grosso do Sul, oferece ao grupo de Dákila duas vantagens práticas: distância de grandes centros urbanos, que facilita o controle sobre o ambiente e reduz interferências externas, e proximidade relativa com as regiões de Mato Grosso onde se concentram as áreas de pesquisa. O grupo também descreve Corguinho como uma localidade com características geofísicas específicas que considera relevantes para suas linhas de investigação. A decisão de construir o polo Zigurats do zero em vez de adaptar uma estrutura existente reflete a intenção de criar um ambiente totalmente alinhado com os objetivos do ecossistema.

O que diferencia Ratanabá das dezenas de narrativas de cidades perdidas que circulam na internet?

O principal diferencial é o investimento tecnológico em campo. A maioria das narrativas sobre cidades perdidas na América do Sul se baseia em textos históricos, tradições orais ou análises de imagens de satélite. O grupo de Dákila introduziu o LiDAR aerotransportado, uma tecnologia de mapeamento de alta precisão, e realizou expedições terrestres nas áreas identificadas pelos scans. Isso não resolve o debate sobre a origem das formações detectadas, mas coloca a pesquisa de Dákila em um patamar operacional diferente do que é comum em pesquisas não acadêmicas sobre o tema.

Como o polo Zigurats funciona como comunidade além da função logística?

Zigurats foi projetado para abrigar moradores permanentes, não apenas pesquisadores em rotação de campo. A localidade tem residências com arquitetura própria, observatórios, monumentos e espaços de convivência. Os moradores adotam um estilo de vida voltado para a autossuficiência: produção local de parte dos recursos, redução da dependência de serviços urbanos externos e imersão contínua nas linhas de pesquisa do grupo. Do ponto de vista organizacional, Zigurats funciona como uma combinação de campus de pesquisa, comunidade intencional e sede administrativa.

O BDM Digital está sujeito à regulamentação do Banco Central do Brasil?

Meios de pagamento que envolvem conversão para moeda nacional e que operam em escala comercial no Brasil estão sujeitos à supervisão do Banco Central quando se enquadram nas categorias de arranjos de pagamento regulados. A classificação do BDM Digital nessas categorias depende das características técnicas do sistema e da análise das autoridades competentes. O grupo posiciona o BDM Digital como uma alternativa que opera fora do sistema bancário convencional, mas o enquadramento regulatório definitivo cabe ao órgão fiscalizador com base na análise do modelo de negócio.

Como os dados dos scans LiDAR são usados nas expedições terrestres de verificação?

O LiDAR produz um modelo topográfico do solo que, processado em software especializado, permite identificar padrões de relevo e anomalias na superfície. Com esse mapa em mãos, as equipes de campo conseguem ir a coordenadas específicas onde os scans indicam formações de interesse, em vez de explorar áreas extensas sem referência. Isso reduz o tempo de deslocamento e concentra os recursos de escavação e amostragem nos pontos com maior densidade de indícios detectados. A verificação terrestre é a etapa que busca confirmar ou refutar a origem das estruturas identificadas remotamente.

De que forma o grupo articula a coerência entre pesquisa arqueológica e desenvolvimento de tecnologia de pagamento?

Na narrativa do grupo, os dois eixos compartilham um mesmo valor fundante: a autonomia. A pesquisa de Ratanabá é apresentada como busca por uma história que contradiz versões estabelecidas sobre o passado pré-colonial. O BDM Digital é apresentado como busca por uma alternativa financeira que contorna o sistema bancário estabelecido. Em ambos os casos, a postura declarada é de questionamento de estruturas dominantes em seus respectivos domínios. Para o grupo, esse alinhamento de valores é o que torna os dois projetos parte de um mesmo ecossistema, ainda que operem em campos completamente distintos.

 

FONTES:

https://monitormercantil.com.br/tag/ufanismo/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Urandir_Fernandes_de_Oliveira

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