Cirurgia Dentária em BH: O Que Aprendi Depois de Adiar Três Anos (E Por Que Esse Foi Meu Maior Erro)
Vou começar do jeito mais honesto possível: tive medo de cirurgia dentária por anos. Um medo irracional, paralisante, que me fez conviver com problemas que poderiam ter sido resolvidos muito antes.
Não era medo de dor exatamente. Era medo do desconhecido. Das histórias de terror que todo mundo adora contar sobre procedimentos odontológicos. Daquela sensação de vulnerabilidade absoluta quando você está deitado numa cadeira com a boca aberta e instrumentos cortantes por perto.

Até que a situação ficou insustentável.
E aí começou minha jornada pelo mundo da cirurgia oral, bucomaxilofacial e todos esses termos técnicos assustadores. Descobri que tinha muito mais desinformação circulando do que conhecimento real. Vou compartilhar o que aprendi – incluindo os erros que cometi adiando tratamento, as perguntas certas que deveria ter feito antes, e principalmente, como encontrar profissional realmente competente em Belo Horizonte.
Extração de Siso: O Procedimento Que Todo Mundo Teme (E Nem Sempre Precisa)
Aqui vai uma verdade inconveniente: nem todo mundo precisa extrair os dentes do siso.
Passei anos ouvindo que “todo mundo tira”, que “é melhor tirar logo enquanto é jovem”, que “se não tirar vai dar problema”. Fui em dois dentistas diferentes que me empurraram cirurgia sem nem avaliar adequadamente minha situação específica.
Quando finalmente consultei um cirurgião bucomaxilofacial sério – o Dr. Fabiano – ele me mostrou nas radiografias que apenas UM dos meus sisos estava realmente problemático. Os outros três estavam bem posicionados, completamente erupcionados, funcionais. Não havia absolutamente nenhuma razão clínica para removê-los.
Isso mudou completamente minha visão sobre cirurgia dentária. Não é protocolo automático. É decisão individualizada baseada em evidências reais, não em achismos ou conveniência financeira do profissional.
Extrai apenas o siso inferior esquerdo que estava impactado e causando pericoronarite recorrente. Procedimento foi infinitamente mais tranquilo do que eu imaginava, recuperação levou menos de uma semana, e economizei dinheiro e sofrimento desnecessário não fazendo cirurgia nos outros três dentes saudáveis.
Implantes Dentários: Quando a Prótese Removível Não É Mais Aceitável
Perdi dois molares superiores por negligência absoluta. Cáries que evoluíram para tratamento de canal mal sucedido, que evoluíram para fratura dental, que resultaram em extração inevitável.
Fiquei dois anos sem esses dentes. Mastigando só de um lado. Desenvolvendo problemas na ATM por sobrecarga. Sentindo os dentes vizinhos começarem a inclinar para o espaço vazio. Um desastre em câmera lenta que eu simplesmente ignorava.
Por quê? Porque achava que implante era procedimento horrível, doloroso, arriscado. Todas essas crenças eram completamente infundadas.
A cirurgia de implante moderna, quando feita por profissional qualificado, é menos traumática do que extração de siso. Sério mesmo. Fiz dois implantes simultâneos e no dia seguinte estava trabalhando normalmente, comendo alimentos macios, sem dor significativa além de leve desconforto controlado com ibuprofeno.
Mas tem detalhes técnicos cruciais que separam resultado excelente de fracasso completo.
Enxerto Ósseo: A Parte Que Ninguém Explica Adequadamente
Aqui está algo que descobri tarde demais: quando você perde um dente, o osso que sustentava aquele dente começa a se reabsorver. Simplesmente desaparece porque não tem mais função.
Fiquei dois anos sem os molares. Quando finalmente decidi fazer implantes, descobri que tinha perdido volume ósseo significativo. Não dava para simplesmente colocar os pinos de titânio – antes precisava reconstruir o osso.
Enxerto ósseo é procedimento adicional onde material ósseo (do próprio paciente, sintético ou bovino tratado) é colocado na região deficiente para regenerar volume. Aumenta tempo total de tratamento, adiciona custo, requer mais uma cirurgia.
Tudo isso poderia ter sido evitado se eu tivesse feito os implantes logo após as extrações. Quanto mais você espera, mais osso perde, mais complicado fica o procedimento.
Lição aprendida da forma mais cara e demorada possível: não adie implante dentário. O tempo trabalha contra você nesse caso.
Cirurgia Ortognática: Quando Ortodontia Sozinha Não Resolve
Tem problemas esqueléticos que aparelho ortodôntico não corrige. Maxila muito para frente ou para trás. Mandíbula desproporcional. Assimetrias faciais severas. Mordida aberta esquelética.
Conheci uma pessoa que passou seis anos usando aparelho tentando corrigir prognatismo mandibular. Seis anos! No final, os dentes até alinharam razoavelmente, mas o problema facial continuava lá porque era ósseo, não dentário.
Cirurgia ortognática reposiciona os ossos da face corrigindo definitivamente essas discrepâncias. Procedimento complexo que exige planejamento meticuloso, equipe experiente, preparação ortodôntica pré-cirúrgica e acompanhamento pós-operatório rigoroso.
Não é para qualquer um fazer. Mas nas mãos certas, transforma não só estética facial mas função mastigatória, respiração, até dores crônicas de cabeça e ATM que vinham da má oclusão esquelética.
Vi resultados de antes e depois que são absolutamente impressionantes. Pessoas que literalmente mudam de vida depois de corrigir problema que carregavam desde a infância.
Remoção de Cistos e Tumores: A Urgência Silenciosa
Cistos odontogênicos são mais comuns do que as pessoas imaginam. Começam pequenos, assintomáticos, invisíveis. Vão crescendo silenciosamente destruindo osso ao redor.
Descobri um cisto radicular (causado por dente com canal tratado há anos) totalmente por acaso numa radiografia panorâmica de rotina. Não doía. Não inchava. Não dava sintoma nenhum. Mas estava lá, crescendo, comprometendo estrutura óssea.
Precisei fazer cirurgia para remoção completa do cisto e curetagem da área afetada. Procedimento que parece assustador mas foi surpreendentemente tranquilo. E crucial para evitar problema muito maior no futuro – cisto não tratado pode causar fratura patológica de mandíbula, infecções graves, destruição óssea extensa.
Isso me ensinou a importância vital de radiografias periódicas. Tem coisas acontecendo na sua boca que você simplesmente não vê nem sente até estar em estágio avançado. Diagnóstico precoce faz diferença absurda na complexidade do tratamento necessário.
Cirurgia Periodontal: Salvando Dentes Condenados
Periodontite avançada destrói o osso e tecido que sustentam os dentes. Eventualmente, os dentes começam a amolecer e, se nada for feito, caem.
Minha mãe estava nessa situação. Três dentistas diferentes recomendaram extração de quatro dentes inferiores e colocação de prótese. Ela aceitou como inevitável até consultar um periodontista cirurgião que ofereceu alternativa: regeneração óssea guiada.
Procedimento cirúrgico onde membranas especiais e enxertos ósseos são colocados para estimular regeneração do osso perdido. Técnica complexa, exige profissional especializado, não funciona em todos os casos. Mas quando funciona, salva dentes que seriam extraídos.
No caso dela, funcionou em três dos quatro dentes. Sete anos depois, continuam firmes e funcionais. Um foi inevitavelmente perdido, mas três foram salvos – o que fez diferença enorme na capacidade mastigatória e autoestima dela.
Antes de aceitar extração como única opção, vale investigar se existe possibilidade de tratamento periodontal regenerativo. Nem sempre é viável, mas quando é, vale cada centavo investido.
Frenectomia: O Procedimento Simples Que Muda Muito
Freio lingual ou labial muito curto causa problemas que vão desde dificuldade de amamentação em bebês até retração gengival e diastema (espaço entre dentes) em adultos.
Frenectomia é cirurgia simples que corta e reposiciona esse freio. Pode ser feita com bisturi convencional ou laser (que sangra menos e cicatriza mais rápido).
Vi caso de criança com freio lingual tão curto que limitava movimento da língua, atrapalhando fala e alimentação. Quinze minutos de procedimento resolveram problema que estava afetando desenvolvimento dela.
Em adultos, freio labial alterado pode causar recessão gengival progressiva nos dentes anteriores, expondo raiz e causando sensibilidade severa. Correção cirúrgica para o avanço da condição e permite enxerto gengival para cobrir áreas expostas.
Procedimento pequeno, resultado grande. Mais uma evidência de que nem toda cirurgia oral é drama – algumas são rápidas, simples e extremamente efetivas.
Apicectomia: Quando Retratamento de Canal Não É Opção
Infecção persistente na ponta da raiz do dente depois de tratamento de canal às vezes não resolve com retratamento endodôntico convencional. Nesses casos, apicectomia pode ser solução.
Procedimento cirúrgico onde a ponta da raiz infectada é removida junto com o tecido inflamado ao redor. Acesso é feito pela gengiva, não pelo canal do dente. E a raiz é selada cirurgicamente para impedir nova infecção.
Fiz isso num incisivo superior que tinha lesão periapical teimosa que não respondia a retratamento. Três endodontistas tentaram resolver pelo canal sem sucesso. A apicectomia finalmente eliminou a infecção e salvou o dente que seria inevitavelmente extraído.
Recuperação foi mais tranquila do que eu esperava. Inchaço moderado por três dias, desconforto controlável com analgésicos comuns, retorno às atividades normais em menos de uma semana.
E o mais importante: cinco anos depois, o dente continua assintomático, funcional, sem sinais de recorrência da infecção.
Biopsia Oral: Quando Aquela Lesão Precisa Ser Investigada
Qualquer lesão na boca que não cicatriza em duas semanas precisa ser avaliada por profissional. Sempre.
Manchas brancas ou vermelhas persistentes. Úlceras que não saram. Caroços ou inchaços que surgem sem razão aparente. Áreas de textura diferente na mucosa. Todos esses sinais merecem atenção.
Biopsia é procedimento onde pequeno fragmento de tecido é removido e enviado para análise microscópica. Única forma definitiva de diagnosticar natureza de uma lesão suspeita.
Pode parecer assustador mas é procedimento ambulatorial simples. Anestesia local, remoção do fragmento (geralmente pequeno), alguns pontos, resultado em uma ou duas semanas.
Conheci alguém que ignorou mancha branca no assoalho da boca por meses achando que era afta recorrente. Quando finalmente fez biopsia, diagnóstico foi leucoplasia displásica – lesão pré-maligna que precisa ser completamente removida e acompanhada rigorosamente.
Se tivesse feito biopsia logo no início, tratamento teria sido muito menos extenso. Diagnóstico precoce em lesões orais literalmente salva vidas.
Planejamento Cirúrgico Digital: A Diferença da Tecnologia Moderna
Tomografia computadorizada tridimensional mudou completamente o planejamento de cirurgias orais complexas.
Antigamente, cirurgião trabalhava com radiografias bidimensionais tentando imaginar estruturas tridimensionais. Margens de erro eram significativas. Surpresas durante cirurgia eram comuns.
Hoje, tomografia cone beam permite visualizar com precisão milimétrica: posição exata de nervos, espessura óssea em cada região, localização de seios maxilares, anatomia de estruturas vitais.
Softwares de planejamento permitem simular cirurgia virtualmente antes de fazer no paciente. Cirurgião pode testar diferentes abordagens, identificar potenciais problemas, escolher técnica ideal para aquele caso específico.
Quando fiz meus implantes, o Dr. Fabiano da clínica em BH me mostrou o planejamento digital completo. Posição exata dos implantes, angulação, profundidade, relação com estruturas anatômicas importantes. Tudo calculado antes de fazer o primeiro corte.
Resultado? Cirurgia precisa, rápida, sem complicações. Implantes na posição ideal para receber as próteses. Zero surpresas, zero improvisação.
Essa é diferença entre odontologia moderna baseada em evidências e abordagem “no olhômetro” de profissionais desatualizados.
Sedação Consciente: Para Quem Tem Ansiedade Severa
Existe diferença entre nervosismo normal antes de cirurgia e fobia verdadeira que impede você de fazer tratamento necessário.
Sedação consciente com óxido nitroso (gás hilariante) ou medicações endovenosas permite que você fique relaxado durante procedimento sem estar completamente inconsciente. Você respira sozinho, responde a comandos, mas não sente ansiedade paralisante.
Conheci paciente com histórico traumático de procedimentos dentários mal feitos na infância. Ele literalmente entrava em crise de pânico ao sentar na cadeira odontológica. Anos acumulando problemas dentários porque simplesmente não conseguia se submeter a tratamento.
Sedação consciente resolveu o bloqueio psicológico dele. Conseguiu fazer cirurgias extensas, tratamentos complexos, tudo que vinha adiando por décadas. Mudou a vida dele de forma que vai muito além da saúde bucal.
Não é necessário para todo mundo. Mas para quem tem ansiedade que impede tratamento, é recurso valioso que deveria ser mais divulgado e acessível.
Complicações Pós-Operatórias: O Que É Normal e O Que Não É
Vamos falar da realidade: todo procedimento cirúrgico tem período de recuperação com algum desconforto.
Inchaço? Normal nas primeiras 48-72 horas, especialmente em cirurgias de terceiros molares e implantes. Controlável com gelo local e anti-inflamatórios prescritos.
Sangramento leve? Normal nas primeiras horas. Compressa de gaze com pressão resolve. Sangramento abundante que não para é problema que exige retorno ao cirurgião.
Dor moderada? Normal e controlável com analgésicos. Dor severa que não responde a medicação ou que piora depois de melhorar pode indicar complicação.
Hematomas? Normais em alguns tipos de cirurgia, especialmente em pessoas que tomam anticoagulantes ou têm fragilidade capilar. Feios esteticamente mas inofensivos, desaparecem em 7-10 dias.
Mas tem sinais de alerta que indicam complicação real: febre persistente acima de 38°C, inchaço que piora depois do terceiro dia, dor que aumenta progressivamente, pus ou secreção com mau cheiro, abertura espontânea de pontos.
Qualquer um desses sinais justifica contato imediato com o cirurgião. Infecção pós-operatória tratada precocemente resolve rápido com antibióticos. Ignorada, pode evoluir para problema sério.
Tive alveolite (inflamação do alvéolo após extração) numa das minhas cirurgias. Dor infernal que começou no quinto dia pós-operatório. Voltei na clínica, cirurgião limpou e medicou a área, em 24 horas o problema estava resolvido.
Se eu tivesse ficado em casa tomando analgésico por conta própria, teria sofrido desnecessariamente por dias.
Cuidados Pós-Operatórios: O Que Realmente Faz Diferença
Segui todas as orientações pós-operatórias à risca nas minhas cirurgias. E vi diferença brutal comparado com quem “dá um jeitinho” nas recomendações.
Repouso relativo nas primeiras 48 horas não é frescura. É necessário para controlar sangramento e edema. Quem volta para academia no dia seguinte invariavelmente tem complicações.
Dieta líquida/pastosa fria nos primeiros dias protege a área cirúrgica e reduz inflamação. Aquela vontade de comer algo crocante? Controle. Não vale a pena arriscar deiscência de sutura por um salgadinho.
Higiene oral adaptada é crucial. Escovação suave evitando área operada, enxaguantes sem álcool se prescritos, nada de cuspe vigoroso ou sucção (tipo canudinho) que podem deslocar coágulo.
Compressas de gelo nas primeiras 24 horas, depois compressas mornas para ajudar reabsorção do edema. Dormir com cabeceira elevada. Evitar exposição solar excessiva.
Parece muito? É. Mas fazer direito resulta em recuperação rápida, confortável, sem complicações. Negligenciar esses cuidados resulta em sofrimento prolongado e possíveis problemas que exigem intervenção adicional.
Escolhendo o Cirurgião: Critérios Que Realmente Importam
Nem todo dentista é cirurgião qualificado. Existem especialidades por um motivo.
Para cirurgias simples como extração de dente erupcionado, dentista clínico geral bem treinado pode fazer tranquilamente. Mas para procedimentos complexos – sisos inclusos, implantes, enxertos ósseos, cirurgias ortognáticas – você quer especialista em cirurgia bucomaxilofacial.
Formação importa: residência ou especialização reconhecida pelo CFO. Experiência comprovada no procedimento específico que você precisa. Estrutura adequada (centro cirúrgico quando necessário, não apenas consultório básico).
Mas além das credenciais técnicas, tem fator humano crucial: comunicação clara. Cirurgião que explica o procedimento em linguagem compreensível, que responde suas perguntas pacientemente, que te passa confiança.
Consultei com três profissionais antes de escolher onde fazer meus implantes. Um era tecnicamente competente mas arrogante e apressado. Outro tinha preço muito abaixo da média (sinal de alerta vermelho piscando). O terceiro tinha equilíbrio perfeito entre competência técnica, comunicação excelente e preço justo.
Escolher profissional para cirurgia não é decisão que se toma baseada apenas em preço ou conveniência. É decisão que impacta sua saúde, função mastigatória, estética, até autoestima. Merece pesquisa cuidadosa e escolha criteriosa.
Conclusão Sem Rodeios
Cirurgia dentária não é bicho de sete cabeças que a imaginação popular pinta. Com profissional competente, tecnologia adequada e cuidados pós-operatórios corretos, a maioria dos procedimentos é tranquila e com recuperação rápida.
O maior erro que cometi foi adiar tratamentos necessários por medo infundado. Cada mês de adiamento piorou minha situação, complicou procedimentos, aumentou custos. Se pudesse voltar no tempo, teria enfrentado o medo muito antes.
Se você está adiando algum tratamento cirúrgico dentário, meu conselho é: pare de procrastinar. Busque profissional qualificado, faça avaliação adequada, tire todas suas dúvidas. Na maioria esmagadora dos casos, o medo antecipado é pior do que a realidade do procedimento.
Sua saúde bucal impacta muito mais do que só sua boca. Afeta nutrição, digestão, fala, estética facial, autoestima, até saúde cardiovascular. Merece atenção, investimento e tratamento adequado quando necessário.
Enfrente o medo. Faça a cirurgia que você precisa. E descubra que era muito mais tranquilo do que você imaginava.