Cirurgia Plástica do Pescoço: O Que Ninguém Me Contou Antes de Fazer Deep Neck (E Por Que Esperei Tanto)
Vou começar com algo que me envergonhava admitir: passei quatro anos evitando fotos de perfil. Não por acaso. Mas porque meu pescoço me incomodava profundamente.

Aquela papada teimosa que não sumia nem com dieta rigorosa. Aquelas bandas platismais que pareciam cordas esticadas sempre que eu virava a cabeça. A linha indefinida entre queixo e pescoço que me fazia parecer dez anos mais velha do que realmente sou. Tudo isso junto criava um complexo que afetava minha autoestima de formas que eu nem percebia completamente.
Até que tomei coragem de pesquisar sobre cirurgia plástica do pescoço.
E descobri que tinha muito mais desinformação circulando do que informação de verdade. Vou compartilhar o que aprendi nessa jornada – incluindo os erros que cometi, as perguntas que deveria ter feito antes, e principalmente, a diferença brutal entre profissional realmente especializado e aventureiro querendo lucrar em cima da vaidade alheia.
Deep Neck: Além da Cirurgia Superficial
Aqui está algo que mudou completamente minha compreensão sobre rejuvenescimento cervical: existe diferença abissal entre lipoaspiração simples de pescoço e procedimento Deep Neck completo.
A maioria dos cirurgiões oferece apenas lipo de papada. Remove gordura superficial, faz alguma diferença estética, mas não resolve problemas estruturais profundos. É como pintar parede com infiltração – melhora temporariamente mas o problema continua ali embaixo.
Deep Neck trabalha em múltiplas camadas. Gordura superficial e profunda. Músculo platisma (que fica flácido e separado com o envelhecimento). Pele excedente. E principalmente: redefine o ângulo cervicomental, aquela linha que vai do queixo ao pescoço e que é absolutamente crucial para aparência jovem e harmoniosa.
Quando o Dr. Etienne Miranda me explicou isso pela primeira vez na consulta, usando imagens do antes e depois de pacientes dele, a ficha caiu. Eu estava procurando solução superficial para problema estrutural. Não ia funcionar.
Anatomia do Pescoço: Por Que Algumas Pessoas Envelhecem Melhor
Sabe aquelas pessoas que chegam aos cinquenta, sessenta anos com pescoço impecável enquanto outras desenvolvem papada aos trinta?
Não é só peso corporal ou cuidados com a pele. É anatomia.
Algumas pessoas têm ângulo cervicomental naturalmente agudo (próximo a noventa graus), inserção alta do osso hioide, pele com elasticidade superior, e platisma firme. Essas ganham na loteria genética do envelhecimento cervical.
Outras – como eu – não têm essa sorte. Ângulo obtuso, hioide baixo, tendência a acumular gordura submentoniana, platisma que se separa cedo criando aquelas bandas verticais horríveis. E aí não adianta creme milagroso, exercício facial, ou aqueles aparelhos de radiofrequência caseiros que vendem na internet.
Cirurgia se torna a única solução efetiva para reverter esses sinais estruturais de envelhecimento.
Levei tempo para aceitar isso. Tentei de tudo antes de admitir que precisava de intervenção cirúrgica. Drenagem linfática. Tratamentos estéticos não invasivos. Até aquele negócio ridículo de aplicar gelo no pescoço que vi em vídeo no YouTube. Nada funcionou porque o problema não era algo que massagem ou tratamento superficial resolveria.
Platysmaplastia: A Parte Técnica Que Faz Toda Diferença
Aqui entra o detalhe técnico que separa resultado natural de resultado medíocre.
O músculo platisma cobre toda região anterior do pescoço. Com o tempo, ele se separa no centro criando aquelas bandas verticais que aparecem quando você contrai o pescoço. E também fica flácido, descendo e criando aquela aparência de “pescoço de peru”.
Platysmaplastia corrige isso suturando o músculo no centro (plicatura) e algumas vezes removendo excesso lateral. Parece simples na teoria, mas a execução exige precisão absurda.
Porque se suturar muito apertado, cria tensão excessiva e resultado artificial. Se suturar pouco, não resolve o problema. Se remover músculo demais nas laterais, pode comprometer função ou criar irregularidades visíveis. O equilíbrio é tudo.
Quando pesquisei sobre o trabalho do Dr. Etienne Miranda, o que me chamou atenção foi exatamente a naturalidade dos resultados. Nada daquela aparência esticada, operada, que grita “fiz cirurgia plástica”. Apenas pescoços com contorno harmonioso, ângulo definido, sem marcas de tensão excessiva.
Lipoescultura Cervical: Muito Além de Simplesmente Aspirar Gordura
Existe gordura em duas camadas no pescoço: superficial e profunda.
A maioria dos procedimentos trabalha apenas a camada superficial. Mais fácil, mais rápido, menos risco. Mas não entrega resultado completo se você tem acúmulo também na camada profunda – que fica sob o músculo platisma.
Lipoescultura completa remove gordura das duas camadas com cuidado para não criar irregularidades. Porque pele do pescoço é fina, qualquer ondulação ou assimetria fica evidente.
E tem outro detalhe crucial que aprendi: não é só sobre remover gordura. É sobre esculpir. Criar transição suave entre diferentes regiões, preservar volume em pontos estratégicos que dão feminilidade (ou masculinidade, dependendo do caso), evitar aquela aparência esquelética que envelhece em vez de rejuvenescer.
Escultura é arte tanto quanto ciência. E nem todo cirurgião tem esse olhar estético refinado necessário para resultados superiores.
Cicatrizes: Onde Ficam e Como Evoluem
Essa era minha preocupação número um antes da cirurgia: vou ficar com cicatriz aparente?
Deep Neck deixa duas pequenas incisões. Uma embaixo do queixo (na sombra natural da região submentoniana) e duas atrás das orelhas (escondidas na dobra natural). Com técnica adequada e cuidados pós-operatórios corretos, essas cicatrizes ficam praticamente invisíveis depois de alguns meses.
Mas – e esse “mas” é importante – evolução da cicatriz depende muito de fatores individuais e cuidados pós-operatórios.
Genética influencia (algumas pessoas têm tendência a cicatriz hipertrófica ou queloide). Exposição solar prejudica absurdamente (protetor solar religiosamente durante pelo menos seis meses). Movimentação excessiva nas primeiras semanas atrapalha cicatrização. Fumar então, nem se fala – compromete irrigação sanguínea e piora resultado final de qualquer cirurgia.
Segui todas as recomendações à risca. Usei protetor solar mesmo dentro de casa. Evitei exercícios intensos no período recomendado. Fiz todos os retornos para acompanhamento. Resultado? Minhas cicatrizes hoje são imperceptíveis mesmo para mim que sei exatamente onde estão.
Pós-Operatório: A Parte Que Ninguém Glamouriza
Vamos falar da realidade crua: pós-operatório de Deep Neck não é passeio no parque.
Primeiro dia você acorda com enfaixamento compressivo no pescoço. Desconfortável mas necessário para controlar edema e ajudar pele a aderir aos novos contornos. Dorme sentada nas primeiras noites para minimizar inchaço. E sim, vai inchar – não tem jeito.
Nos primeiros três, quatro dias, você parece ter sido atropelada. Roxo, inchado, duro. Olha no espelho e pensa “meu Deus, o que eu fiz?”. Todo mundo passa por isso. É normal. Mas ninguém te prepara emocionalmente para a diferença entre expectativa e realidade imediata.
O inchaço começa a ceder após a primeira semana mas leva meses para sumir completamente. O resultado que você vê com quinze dias não é o resultado final. Nem o que vê com um mês. O resultado real, definitivo, estabilizado, você só vê depois de três a seis meses quando toda reorganização tecidual se completa.
Paciência é fundamental nesse processo. E ter um cirurgião acessível para tirar dúvidas, que responde suas mensagens paranoicas de madrugada, que te tranquiliza quando você acha que algo está errado – isso vale ouro.
Quando Deep Neck Não É Suficiente: Combinações Cirúrgicas
Aqui está algo que descobri durante as consultas: às vezes o problema do pescoço começa no rosto.
Queixo retraído cria ângulo cervicomental ruim mesmo sem excesso de gordura ou flacidez. Nesse caso, mentoplastia (cirurgia de queixo) combinada com Deep Neck entrega resultado muito superior ao Deep Neck isolado.
Flacidez facial severa também impacta aparência do pescoço. Porque tudo está conectado. Fazer lifting cervical sem tratar terço inferior da face pode deixar resultado desequilibrado, com transição artificial entre área tratada e não tratada.
No meu caso, felizmente Deep Neck isolado era suficiente. Mas vi casos de pacientes que precisaram de abordagem combinada para harmonia facial completa. E isso exige planejamento cirúrgico mais complexo, equipe experiente, entendimento profundo de proporções faciais.
Cirurgião que trabalha apenas uma região específica sem considerar o conjunto pode entregar resultado tecnicamente correto mas esteticamente insatisfatório.
Anestesia: Local com Sedação versus Geral
Existem dois protocolos anestésicos principais para Deep Neck: local com sedação ou geral.
Anestesia local com sedação consciente é mais comum. Você fica relaxado, sonolento, mas respira sozinho e pode responder a comandos se necessário. Recuperação é mais rápida, menos efeitos colaterais, menor risco.
Anestesia geral deixa você completamente inconsciente. Necessária em procedimentos mais extensos ou combinados, ou quando paciente tem ansiedade severa que impede colaboração durante cirurgia.
Fiz com sedação e foi tranquilo. Não lembro de nada do procedimento, acordei quando tudo já tinha acabado, sem náusea ou mal-estar significativo. Mas cada caso é um caso, e a decisão deve ser tomada junto com cirurgião e anestesiologista considerando suas particularidades.
Riscos e Complicações: A Conversa Honesta Que Precisa Acontecer
Qualquer cirurgia tem riscos. Quem disser o contrário está mentindo para vender procedimento.
Deep Neck especificamente pode ter complicações como hematoma, seroma (acúmulo de líquido), infecção, lesão de nervo (rara mas possível), assimetria, irregularidades de contorno, necrose de pele (raríssima em mãos competentes).
A incidência dessas complicações é baixa quando cirurgia é feita por profissional experiente em ambiente adequado. Mas existe. E você precisa estar ciente antes de assinar o termo de consentimento.
O que diferencia cirurgião responsável de aventureiro? O primeiro te explica todos os riscos com transparência, discute seu histórico médico detalhadamente, solicita exames pré-operatórios completos, tem estrutura para lidar com eventuais complicações. O segundo minimiza riscos, promete resultados irreais, te empurra para cirurgia sem avaliação adequada.
Quando conversei com o Dr. Etienne Miranda sobre riscos, ele foi absolutamente franco. Não escondeu nada, não romantizou o procedimento, não me deu falsas garantias. E ironicamente, essa honestidade brutal me passou muito mais confiança do que discursos de vendedor prometendo resultado perfeito sem possibilidade de problema.
Manutenção de Resultados: O Que Fazer Depois
Deep Neck não para o envelhecimento. Apenas reverte sinais existentes e te coloca numa posição melhor.
Mas pele continua envelhecendo. Gordura pode voltar a acumular se você ganhar peso. Músculo platisma pode voltar a afrouxar com os anos. Por isso manutenção é crucial.
Proteção solar diária no pescoço (área que todo mundo esquece). Hidratação adequada. Controle de peso estável. E dependentemente do caso, procedimentos complementares não invasivos ao longo dos anos para prolongar resultado – como ultrassom microfocado, radiofrequência, bioestimuladores de colágeno.
Não são obrigatórios mas ajudam. Fazem resultado durar muito mais tempo antes de eventualmente precisar de retoque cirúrgico.
Escolhendo o Cirurgião: O Que Realmente Importa
Aqui vão os critérios que usei e que recomendo para qualquer pessoa considerando cirurgia plástica:
Formação completa em cirurgia plástica (residência médica reconhecida pelo MEC, não curso de fim de semana). Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Experiência específica e comprovada no procedimento que você quer fazer – cirurgião que faz de tudo geralmente não é especialista em nada.
Portfolio de resultados reais, não apenas fotos profissionais escolhidas a dedo. Estrutura hospitalar adequada com CTI disponível para emergências. Equipe anestésica qualificada. E principalmente: química pessoal, porque você vai ter contato próximo com essa pessoa durante meses de acompanhamento pós-operatório.
Pesquisei extensivamente antes de escolher. Consultei com três cirurgiões diferentes. Comparei abordagens, filosofias de trabalho, resultados anteriores. A diferença entre profissionais é gritante quando você realmente investiga.
Expectativas Realistas: A Chave Para Satisfação
Essa é provavelmente a parte mais importante de todo o processo: ter expectativas alinhadas com o que a cirurgia pode realmente entregar.
Deep Neck vai melhorar dramaticamente o contorno do seu pescoço. Vai te devolver definição que você perdeu com envelhecimento ou nunca teve devido à anatomia. Vai fazer você se sentir mais confiante e confortável com sua aparência.
Mas não vai te transformar em outra pessoa. Não vai resolver todos os problemas da sua vida. Não vai fazer você parecer vinte anos mais nova se você tem sessenta. E definitivamente não vai compensar inseguranças profundas que vão além da aparência física.
Cirurgia plástica é ferramenta para melhorar o que te incomoda fisicamente. Apenas isso. Se suas expectativas estão calibradas nessa realidade, satisfação é praticamente garantida. Se você espera milagres ou mudança completa de identidade, decepção é inevitável.
Investimento Financeiro: Vale a Pena?
Não vou mentir: Deep Neck bem feito não é barato.
Mas quando você considera que é procedimento que dura anos (facilmente dez, quinze anos com manutenção adequada), que impacta diretamente sua autoestima e confiança diária, que resolve problema que nenhum tratamento não invasivo resolve de verdade – o custo se justifica.
Economizar em cirurgia plástica é das piores decisões que alguém pode tomar. Resultado ruim não só desperdiça o dinheiro que você gastou como cria novos problemas que custam ainda mais para corrigir. Sem contar o custo emocional de conviver com resultado insatisfatório.
Se você não tem condições financeiras no momento, espere até ter. Junte dinheiro, planeje adequadamente. Mas não faça com profissional mais barato só porque cabe no orçamento agora. A economia de curto prazo pode custar muito caro a longo prazo.
Quando É Hora de Fazer: Sinais Que Você Está Pronta
Não existe idade certa ou errada para Deep Neck. Existe momento certo para cada pessoa.
Você está pronta quando o incômodo com sua aparência supera o medo da cirurgia. Quando já tentou alternativas não invasivas sem sucesso. Quando entende completamente o procedimento, riscos e recuperação. Quando tem expectativas realistas. E principalmente: quando está fazendo por você, não para agradar outras pessoas.
Eu sabia que estava pronta quando percebi que evitava situações sociais por causa do meu pescoço. Quando escolhia ângulos específicos para fotos. Quando usava cachecóis e golas altas mesmo no calor. Quando o problema deixou de ser apenas estético e passou a afetar minha qualidade de vida.
Reflexões Finais (Sem Rodeios)
Fazer Deep Neck foi uma das melhores decisões que tomei para mim mesma. Não porque mudou quem eu sou, mas porque eliminou algo que me incomodava profundamente e restaurou minha confiança.
O processo não foi fácil. Teve momentos de dúvida, de arrependimento temporário durante pós-operatório difícil, de ansiedade esperando o resultado final aparecer. Mas valeu cada segundo de desconforto quando finalmente vi o resultado estabilizado no espelho.
Cirurgia plástica é jornada pessoal que ninguém pode julgar. Se algo na sua aparência te incomoda a ponto de afetar sua autoestima e qualidade de vida, e existe solução cirúrgica segura e efetiva para isso, não há absolutamente nada de errado em buscar essa solução.
Apenas faça com responsabilidade. Pesquise exaustivamente. Escolha profissional qualificado. Tenha expectativas realistas. E principalmente: faça por você, pelos motivos certos.
Seu pescoço, suas regras. Sua decisão, sua vida.